Notícias do setor
11/02/2015
Comercializador varejista pode ajudar na expansão da oferta ao ACL

Concentração de consumidores sob uma gestora mitigaria o risco de financiamento no longo prazo para projetos dedicados aos consumidores livres especiais

Mauricio Godoi, da Agência CanalEnergia, de São Paulo, Mercado Livre
10/02/2015

A figura do comercializador varejista pode ajudar o mercado livre a conseguir passar a maior barreira do ACL para a expansão da oferta: o financiamento de projetos. Com a concentração de muitos consumidores sob a responsabilidade de uma empresa administradora desses contratos junto à CCEE, o risco que existe atualmente é mitigado e abre a possibilidade de que o principal financiador do setor elétrico, o BNDES, possa atuar com a liberação de recursos para projetos destinados ao mercado livre.

Segundo a Associação Brasileira dos Comercializadores de Energia, o potencial do mercado livre com a atual legislação que limita o consumo a pelo menos 500 kW é de 46% da carga distribuídos em 12 mil consumidores. O ACL responde por cerca de 25% do consumo nacional há anos. Os agentes na CCEE representam 43% dos associados ou cerca de 1.200 empresas.

De acordo com o diretor técnico da Abraceel, Alexandre Lopes, esse patamar poderia ser maior caso fosse viabilizada a expansão da oferta. Existem, contou ele, cerca de 4,2 GW em projetos com outorga da Aneel sem compromissos com CCEARs que poderiam atender diretamente os consumidores especiais.

“São eólicas, PCHs e biomassa que elevariam a 35% a participação do ACL na carga nacional”, calculou ele. “O comercializador varejista pode unir as duas pontas, o consumidor e o gerador por meio da viabilização da expansão da oferta ao apresentar esse montante de recebíveis ao banco para financiar os projetos”, acrescentou ele após sua participação no Forum de Comercialização de Energia Outlook 2015.

Marcio Severi, diretor de Regulação e de Comercialização de Energia da CPFL Renováveis, disse que a participação do BNDES no processo de financiamento é fundamental para os investidores coseguirem viabilizar seus projetos no mercado livre. Em sua avaliação, o maior gargalo no setor eólico para o mercado livre não é a capacidade instalada, mas as exigências de contratos de longo prazo como no mercado regulado. “As variáveis macroeconômicas são voláteis, o empresário não tem como fechar contratos de fornecimento de energia por 20 anos”, disse o executivo da CPFL.

 

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