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25/02/2015
Arrastada a grau especulativo, Petrobras ameaça ajuste fiscal

Postado por: Angela Bittencourt

O rebaixamento da classificação de risco da Petrobras pela Moody’s Investors Service, anunciado ontem à noite, impõe um revés no esforço do governo para promover o ajuste fiscal e desemperrar a atividade econômica no Brasil. A estatal perdeu o grau de investimento devido ao aumento das pressões de liquidez e reforçou o grupo das petroleiras classificadas com grau especulativo. Se a União, controladora da companhia, decidir patrocinar um reforço de capital para evitar seu desmonte na ótica de investidores institucionais, as grandes linhas da política econômica em curso deverão ser revistas, no mínimo, porque será rifada a perspectiva de ocorrer um ajuste fiscal neste ano.

O Financial Times informa em sua edição online que bônus denominados em euro da Petrobras dispararam após a decisão da Moody’s de rebaixar a Petrobras para  grau especulativo. Os 600 milhões de bônus a vencer em 2022 subiram mais de seis centavos e são negociados a 91,7 centavos de dólar, sendo que o yield alcançou a máxima de 7,52% - o mais alto desde a sua emissão, em 2011. Depois, cedeu para 7,34%, uma alta de 145 pontos base ante o fechamento de ontem. Esses papéis oferenciam rendimento um pouco acima de 2% em novembro, segundo informa a agência Dow Jones Newswires. Já o lote de 1,5 bilhão de euros em bônus  com vencimento em 2018 caíram para 88,5 centavos de dólar, com yield de 7,3%.

A gigante brasileira – protagonista de um escândalo ancorado em atos de corrupção, desvio e lavagem de dinheiro – passa a disputar espaço com a argentina YPF, a única petroleira que tinha grau especulativo entre as principais monitoradas pela Moody’s, informa a jornalista Camila Maia. A agência foi a primeira a tirar o grau de investimento da Petrobras, mas a Fitch e a Standard & Poor’s mantêm a empresa apenas um degrau acima do grau especulativo. A Fitch rebaixou a nota da estatal há apenas três semanas em função da incerteza quando à capacidade da Petrobras de estimar perdas decorrentes da corrupção na sua base de ativos, o que pode levar à aceleração do vencimento de dívidas, relata Thais Carrança, do Valor.

Em 2005, quando a Petrobras recebeu o grau de investimento da Moody’s, o diretor financeiro da companhia, Almir Barbassa, que renunciou ao cargo no início deste mês, estimava que o selo de bom pagador de uma das agências de classificação de risco ajudaria a reduzir o custo da dívida da empresa entre 0,50 ponto e 1 ponto percentual.

Fernando Torres calcula que a aplicação desse percentual sobre a dívida líquida da estatal em setembro, de R$ 261 bilhões, seria possível dizer que o impacto negativo do rebaixamento será uma conta extra de R$ 1,3 bilhão a R$ 2,6 bilhões por ano em pagamento de juros. Embora o efeito da nota de crédito mais baixa sobre o desembolso de caixa com juros maiores não seja imediato, é praticamente certo que ele virá.

Ao comunicar a revisão da nota ao mercado, a Moody’s deixou claro que mesmo que a Petrobras consiga publicar o balanço antes do fim de junho, evitando assim a quebra de cláusulas restritivas que levariam credores a pedir aceleração do pagamento de dívidas de US$ 56,7 bilhões, a companhia dificilmente voltará a ter o grau de investimento no curto prazo. Nesse cenário, informa a agência, a nota da estatal deve ser elevada, mas em apenas um grau.

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