Para atingir esse volume é necessário que se tenha ENA equivalente a 70% da MLT em março e abril
Mauricio Godoi, da Agência CanalEnergia, de São Paulo, Operação e Manutenção
26/02/2015
A AES Tietê considera que o nível dos reservatórios deva alcançar 40% para que o país possa chegar a novembro sem sobressaltos para atender a demanda. O mínimo estimado pela empresa é de 35% para atendimento à demanda, mas sem possibilidade de flexibilidade na operação do sistema. Para chegar a esse volume é preciso que a Energia Natural Afluente no país fique em 70% da média histórica, mesmo nível que o próprio diretor-geral do Operador Nacional do Sistema Elétrico havia apontado em dezembro do ano passado.
O presidente da geradora, Britaldo Soares, lembrou que essas indicações ainda dependem do comportamento do consumo no ano. Ele disse que a companhia faz análises de sensibilidade com diversos cenários, mas que esses dados são para uso interno da companhia e preferiu não revelar quais seriam os impactos para o setor.
“Na nossa visão 35% seria o mínimo a ser considerado. Se olharmos para o fato de que ao final de fevereiro devemos fechar em 24%, para que vá nessa direção de armazenamento, precisaria de hidrologia por volta de 70% da MLT em março e abril. Assim poderíamos terminar o mês de abril em 36% de reservatórios e com o despacho térmico entre 16 GW e 17 GW constante nesse período”, disse Soares em teleconferência com analistas sobre os resultados da geradora no ano de 2014.
Ao final do ano passado, informou a AES Tietê, os reservatórios das usinas da empresa estavam em 34,7%. De dezembro para cá esse nível se elevou e está em 42%, acrescentou o executivo. Apesar da elevação neste ano, a hidrologia de 2014 na casa de 69% da MLT no Sudeste/Centro-Oeste, foi classificada como crítica. Esse fator, continuou ele, apertou os resultados da geradora que viu seu volume de geração recuar. De 109% da garantia física de suas usinas o volume produzido em 2014 caiu para 66%. Em energia passou de 1.392 MW médios para 850 MW médios.
E para o ano de 2015 a perspectiva da companhia é de que o rebaixamento no MRE fique entre 15% e 17% com base no cenário hídrico atual que, assim como no ano passado, é classificado como crítico. Se o guidance da empresa se confirmar, o impacto negativo líquido pode ficar entre R$ 590 milhões e R$ 680 milhões em seu resultado Ebitda, com o preço médio da energia no mercado de curto prazo muito próximo ao teto regulatório, de R$ 388/MWh.
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