A Engevix, empreiteira implicada na Operação Lava-Jato e que tem um de seus sócios presos, está prestes a enfrentar mais uma complicação financeira. Um pedido feito pela empresa para alterar o cronograma de entrada em operação da usina hidrelétrica São Roque (SC), com 135 megawatts (MW) de potência instalada, deverá ser rejeitado pela Aneel. O impacto da decisão pode custar até R$ 120 milhões ao já combalido caixa do grupo, que se desfez de ativos como parques eólicos, no mês passado, e se diz aberto à venda de suas participações nos aeroportos de Brasília (DF) e São Gonçalo do Amarante (RN). Leiloada no fim de 2011, a usina tem custo estimado de R$ 680 milhões e está com suas obras atrasadas. De acordo com a concessionária São Roque Energética, controlada pela Engevix, o atraso deve-se basicamente à demora na obtenção da licença ambiental de instalação. A estimativa mais recente é que as turbinas sejam ligadas seis meses depois, em julho. Enquanto isso, pelas regras do setor elétrico, a concessionária ficaria responsável por repor o volume de energia que não consegue produzir. Para fugir dessa obrigação, que ficou bem mais cara com os altos preços no mercado de curto prazo, ela queria uma espécie de "perdão" da Aneel. No leilão de 2011, as distribuidoras contrataram o suprimento de 81,8 MW médios de São Roque, a partir de janeiro. Se a Engevix receber esse perdão da Aneel e os preços no mercado de curto prazo continuarem no teto de R$ 388 por megawatt-hora, as distribuidoras precisarão recorrer diretamente ao mercado de curto prazo para repor a energia não gerada por São Roque e terão uma despesa adicional de R$ 120 milhões, ao longo dos seis meses de atraso do empreendimento. Em voto que será submetido hoje à diretoria colegiada da Aneel, Correia rejeita o pedido da concessionária. Para o diretor da Aneel, os vencedores dos leilões para a construção de novas usinas devem estimar adequadamente os prazos do licenciamento ambiental, sob pena de comprometer sucessivamente os marcos subsequentes das obras. O relator concorda com um pedido da empresa: aumentar, dos 135 MW que constam do projeto original para 141,9 MW, a potência instalada da usina. (Valor Econômico – 03.03.2015)
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