EDITORIAL. “A conta da energia elétrica não fecha”. O Estado de São Paulo. São
Paulo, 10 de março de 2015.
Os consumidores de energia já estão pagando contas substancialmente mais
elevadas para ter acesso à eletricidade. Essas contas foram reajustadas em janeiro
e novamente neste mês, mas nem assim as empresas do setor conseguiram chegar
ao equilíbrio financeiro, tantos foram os malabarismos contábeis a que foram
submetidas nos últimos meses.
Em meados da semana passada, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, chamou 13
bancos para uma conversa e pelo menos 4 entre eles Bradesco,
Itaú, Santander e
Banco do Brasil teriam
aceitado o pedido para fazerem uma nova operação de
socorro às distribuidoras de energia, de R$ 3,1 bilhões. Parece arriscado supor que
será o último empréstimo para pôr fim às consequências da mudança do modelo
elétrico.
Cabe lembrar que já ocorreu o desmanche desse modelo que prometia a modicidade
tarifária. Em 2014, dezenas de bilhões de reais foram aportados às empresas do
setor (falouse
em R$ 66 bilhões, no segundo semestre, mas a conta continuou
subindo). Além de exaurir fundos públicos como os da Conta de Desenvolvimento
Energético (CDE), outros R$ 17,8 bilhões foram tomados por empréstimo nos
bancos pelas distribuidoras. Agora, além do novo empréstimo, o governo propõe a
dilatação dos prazos de pagamento das dívidas antigas, que começam a vencer em
novembro, estendendo de dois a cinco anos os prazos de vencimento.
O que fica claro é que os aumentos impostos aos consumidores mostramse
insuficientes. E não foram poucos: uma bandeira tarifária, hoje de R$ 5,50 por 100
kWh consumidos, é aplicada sobre as contas para pagar as térmicas que operam a
todo vapor. Além da correção anual e das revisões periódicas, um reajuste médio
extraordinário de 23,4% entrou em vigor neste mês. E uma triagem está sendo feita
no programa Tarifa Social, para excluir milhões de famílias do benefício.
Em resumo, ainda não chegou para os consumidores a totalidade dos aumentos do
preço da energia. As negociações com os bancos envolverão mais juros e estes
serão incorporados às contas. O custo da energia aumentou 3,14% e foi o que mais
pressionou o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de fevereiro. Essa
situação se repetirá neste mês, segundo especialistas.
Ainda mais grave seria um aumento da inadimplência no setor energético, se a conta
não puder ser paga pelas famílias.
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