Ao se atribuir a queda da taxa de investimento da economia brasileira à perda de confiança do setor privado no governo, de 2012 para cá, ficaram ausentes da discussão as razões objetivas que levaram as empresas à decisão de não ampliar os seus negócios, sobretudo na indústria. Entre 2010 e o terceiro trimestre de 2014, a taxa de investimento que era de 20,2% do PIB caiu para 17% do PIB. Depois de esmiuçar os balanços das empresas nos últimos quatro anos, sobretudo das companhias abertas não financeiras e nessas, o segmento industrial, o diretor do Centro de Estudos do Ibmec, Carlos Rocca, identificou motivos mais do que razoáveis para explicar a prolongada retração dos investimentos no país. A taxa de retorno sobre o capital investido caiu, a partir de 2012, para um patamar inferior ao do custo médio da dívida das empresas. Na indústria, houve uma substancial redução de margem, resultante da dificuldade de repassar os aumentos de custos para os preços de venda. E, na raiz do problema de elevação de custos domésticos, estaria o aumento do custo unitário do trabalho. Certamente outros custos também aumentaram, mas não na mesma proporção. A política de aumento real de salários (sem o correspondente ganho de produtividade) elevou em 100% o custo unitário nominal do trabalho entre 2004 e 2014. Ao mesmo tempo, os produtos industriais importados tiveram elevação de 30% em igual período, funcionando como um teto para a prática dos preços domésticos. Esse foi o processo que levou a uma compressão das margens e redução da rentabilidade das empresas. (Valor Econômico – 16.03.2015)
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