A aprovação do Orçamento de 2015 pelo Congresso Nacional na noite de terça-feira dá a real dimensão sobre o tamanho do ajuste fiscal que precisa ser feito pelo governo e também o tamanho do problema embutido na falta de crescimento. O Orçamento de 2015 carrega uma expectativa de receita (impostos, contribuições, concessões, dividendos, previdência e outros) de R$ 1,429 trilhão. Esse valor é 19% maior do que o realizado pelo governo no ano passado para o mesmo conjunto de receitas. A diferença é que o governo terá que fazer esse aumento de receita com uma economia em recessão. Em nenhum outro ano, desde 2005, mesmo com crescimentos expressivos do PIB como o 7,6% de 2010, o governo alcançou um aumento de receitas tão expressivo como o embutido na proposta para 2015. A tarefa do ajuste fiscal começa, portanto, em tornar mais realista esse Orçamento. Esta semana, ao falar para empresários na Associação Comercial de São Paulo (ACSP), o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, já avisou que a expectativa de receita embutida no Orçamento era muito mais otimista do que os números com os quais a equipe econômica trabalha. O Orçamento aprovado, com receitas de R$ 1,4 trilhão, ainda não contempla a arrecadação extra estimada pelo governo a partir dos aumentos de impostos e contribuições aprovados esse ano, como a volta da Cide e o IOF sobre crédito. (Valor Econômico – 19.03.2015)
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