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23/03/2015
Racionamento de energia é quase inevitável, afirmam especialistas

23/03/2015

Governo praticamente descarta medida, mas consultorias dizem que risco é superior a 60%. Baixo nível dos reservatórios demanda cortes, mas governo aposta em chuvas e na redução do consumo.

Apesar de o governo praticamente descartar um racionamento de energia neste ano, especialistas do setor afirmam que essa possibilidade existe, e não é remota.

Dados do próprio ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) indicam a probabilidade de um racionamento. Simulação da consultoria Thymos, feita com dados do ONS, mostra que a chance haver um corte de 5% na carga é de 24%.

"Mas os números do ONS são muito otimistas. Na nossa visão, há 60% de chance de um racionamento superior a 5%", diz João Carlos Mello, presidente da Thymos. A análise considera o quadro recessivo da economia. "Se o país estivesse crescendo, a situação seria ainda mais grave."

A consultoria PSR estima um risco de racionamento de 95% para as regiões Sudeste e Sul. "Isso indica que, em pouquíssimos cenários hidrológicos, não seria preciso ter um corte na carga", diz Priscila Lino, consultora da PSR.

A equipe da consultoria aponta que é necessário reduzir a demanda em 6% ante 2014 para chegar ao fim do ano com os reservatórios acima de 10%, nível considerado o mínimo adequado.

Para Luiz Pingelli Rosa, diretor da Coppe-UFRJ, seria "prudente" se o racionamento já tivesse em vigor. "Temos mais um mês de chuvas. Se elas não forem abundantes, será necessário decretá-lo."

Apesar das chuvas recentes, os reservatórios ainda estão muito baixos para essa época. Segundo Pinguelli, o nível mínimo satisfatório é de 30% até o final de abril, quando começa o período seco.

No Sudeste/Centro-Oeste, responsável por 70% da capacidade de armazenamento do país, os reservatórios estavam em 24% da capacidade na quinta (19). Em março de 2014, estava em 36%.

Para que os reservatórios atinjam 30% em um mês, é preciso que as precipitações fiquem acima da média histórica --probabilidade remota, segundo climatologistas.

"As chuvas devem ficar na média em abril, maio e junho. Não serão suficientes para reverter o quadro atual", afirma Bianca Lobo, meteorologista da Climatempo.

O Ministério de Minas e Energia informou que "devido à grande variabilidade das afluências aos reservatórios no chamado 'período úmido', que vai de dezembro a abril, análises mais conclusivas sobre o sistema elétrico serão obtidas ao fim deste período".

Além de torcer por chuvas acima da média, o governo aposta que a crise econômica e o tarifaço reduzirão o consumo de energia em 2015, evitando o racionamento e um maior desgaste político (Folha de S.Paulo, 22/3/15)

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