Notícias do setor
10/04/2015
Lava-Jato investiga se edital em Angra 3 foi direcionado

Os investigadores da Operação Lava-Jato vão aprofundar as apurações sobre a montagem eletromecânica de Angra 3. A suspeita é que tenha ocorrido um esquema similar ao constatado nas refinarias da Petrobras, com fraude na licitação e pagamento de valores indevidos a agentes públicos. Segundo a suspeita dos investigadores, o edital para a montagem de Angra 3 - publicado pela Eletrobras Eletronuclear foi elaborado de forma a privilegiar poucas empresas. Durante a concorrência, apenas dois consórcios foram habilitados: o UNA 3 (formado pelas empresas Odebrecht, Andrade Gutierrez, Camargo Corrêa e UTC) e o Angra 3 (composto por Queiroz Galvão, uma subsidiária do grupo MPE e Techint). Além deles, haviam se inscrito mais três concorrentes: os consórcios Construcap¬Orteng e Itaorna (este, formado por OAS e SOG Óleo e Gás), além da empresa Skanska Brasil - que disputava sozinha. Das 12 empresas participantes, 11 são citadas nos autos da Lava-Jato por, segundo o MPF, combinarem resultados de concorrências da Petrobras. Os consórcios concorriam por dois pacotes de serviço, sendo que um grupo não poderia ser contratado para fazer ambos os pacotes. Com a habilitação de somente dois consórcios, ficou certo que cada um deles necessariamente levaria uma obra. Somente então os grupos foram chamados a apresentar os preços. Segundo a estatal, era exigido que os classificados tivessem experiência em obras de usinas nucleares e outras similares. Em relatório de 2013, o TCU havia chamado atenção sobre a modelagem do edital e a consequente habilitação de somente dois consórcios. O órgão concluiu que a concorrência de preços seria "praticamente nula". A previsão do orçamento para as obras, no edital, era de R$ 2,9 bi (base de fevereiro de 2013). Os consórcios acabaram ganhando os pacotes ao oferecer preços somados de R$ 3,1 bi (também na base de fevereiro de 2013). As regras do edital permitiam que fosse oferecido um preço até 5% acima do teto. A estatal respondeu que a porcentagem com valor "extra" valia para eliminar possíveis erros no orçamento do projeto. O órgão acabou liberando a concorrência, que agora é analisada na Operação Lava¬Jato, e as empresas assinaram os contratos com a Eletrobras em 2014. (Valor Econômico – 09.04.2015) 

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