Notícias do setor
28/04/2015
Varejo ameaça com demissões no segundo semestre

O setor, que tem enfrentado problemas decorrentes da restrição de crédito, do alto endividamento da população e da elevação de juros, acredita que o Dia das Mães, segunda principal data para vendas, será o termômetro para avaliar dispensa de pessoal

Guilherme Waltenberg

Publicado hoje (06:00)

Se o Dia das Mães, segunda data mais importante para as vendas no comércio perdendo apenas para o Natal, mantiver o ritmo observado desde o início do ano, o varejo começará a preparar uma série de demissões para a virada do semestre. A afirmação vem de representantes do setor ouvidos pelo Fato Online.

Segundo eles, o processo não será feito de forma abrupta. "Se não tivermos um bom resultado [no Dia das Mães], acabará sendo inevitável [demitir]. Num primeiro momento, diminuiriam as contratações e, na sequência, vêm as demissões", avaliou Marcel Solimeo, economista da Associação Comercial de São Paulo (ACSP). 

Fábio Bentes, economista da Confederação Nacional do Comércio (CNC) pondera que a geração de vagas no comércio já caiu neste ano para menos de 30% do que era no ano passado. "Nos últimos 12 meses encerrados em fevereiro, geramos 78 mil vagas. Em fevereiro de 2014, o varejo tinha gerado quase 250 mil vagas no mesmo período". Segundo ele, o momento "é de ajuste do quadro de funcionários" e, "mantida tendência atual, vamos começar a ver mais demissões que contratações até o fim do semestre". 

A CNC trabalha com a expectativa de aumento de vendas de apenas 1% nesse Dia das Mães na comparação com 2014. Já a ACSP ainda não fechou suas perspectivas. Mesmo assim, o economista da associação admite que é possível que não haja crescimento na comparação com 2014.

Para o presidente da Federação de Comércio do Distrito Federal (Fecomercio-DF), Adelmir Santana, se a trajetória de queda contínua nas vendas não for encerrada no Dia das Mães, o momento será a "data limite" para início de demissões no setor. 

A expectativa da CNC é de que a contratação de funcionários temporários para o Dia das Mães, em 2015, já será a menor dos últimos 10 anos. No ano passado, o quadro de temporários cresceu 2,8% na comparação com 2013. "Neste ano será pior, já que a expectativa de aumento das vendas está em apenas 1%", disse, ressaltando que o ano em que houve a maior contratação de temporários foi 2010, quando houve crescimento de 9,5%.

"Num primeiro momento, diminuiriam as contratações e, na sequência, vem as demissões"Marcel Solimeo, economista da ACSP

Alguns fatores são determinantes na avaliação de que a crise no varejo não deve ser apenas uma tendência temporária. Segundo Solimeo, o atual patamar de juros somado ao maior rigor na concessão de crédito por parte dos bancos, em função do aumento na inadimplência em alguns setores, e o medo do desemprego seguraram o ímpeto de consumo. "O que temos visto desde o fim do ano passado é uma desaceleração continua das vendas do varejo", diz.

Em 2014, o comércio como um todo - o que inclui varejo e atacado - respondeu por 10,3% do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil ante 10,8% em 2013. Nas contas de Bentes, o varejo sozinho representa em torno de 6,5%. 

Para este ano, a perspectiva, no entanto, não é de queda na participação. Isso se explica porque outras áreas devem ter quedas maiores que o comércio. "A indústria vive uma crise mais intensa", diz Bentes. No ano passado, a indústria representou 20% do PIB ante 20,7% em 2013. A agropecuária representou 4,8% do PIB em 2014 e o setor de serviços - que engloba tanto o comércio varejista quanto o comércio atacadista - representou 60,7%.

 

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