Notícias do setor
05/05/2015
Desequilíbrio no tripé que servia de alicerce do "Novo Modelo"

Do ponto de vista operacional, o índice de duração de interrupções piorou, passando de 16,87 horas, em média, em 2000, para 18,27 horas, em 2014. Na mesma comparação, porém, o índice de ocorrências de interrupção melhorou, evoluindo de 14,82 registros, em média, para 10,49 registros, no ano passado. O índice de perdas elétricas totais das distribuidoras também apresentou piora, passando de 11,86%, em 2000, para 13,99% em 2014. Apesar das evoluções observadas na expansão da geração, transmissão e distribuição, uma mudança na orientação política nos últimos cinco anos, com forte impacto no ambiente regulatório, com o objetivo de obter uma redução forçada do custo da energia do país, desequilibrou o tripé que servia de alicerce do "Novo Modelo". Em outras palavras, a priorização da modicidade tarifária reduziu o ritmo de expansão da oferta de energia. "As impropriedades começaram pela forma que foi promulgada a Medida Provisória 579/2012 [da Renovação das Concessões], sem transparência. O texto foi produzido a portas fechadas por um trabalho de não mais que seis pessoas. Os erros de gestão levaram a um desarranjo financeiro brutal que se vê até hoje", lamenta Claudio Sales, presidente do Instituto Acende Brasil, centro de estudos do setor elétrico. O problema foi agravado por uma série de restrições ambientais e jurídicas que impediram ou retardaram a construção de importantes empreendimentos de geração e transmissão de energia. Os atrasos comprometeram o nível de segurança de abastecimento do sistema, agravado ainda mais pelo fraco regime hidrológico dos últimos dois anos, o que levou o Brasil a passar por experiência semelhante a observada no início do século. Ao que tudo indica, o ano de 2016 será crucial para o setor elétrico. Com estimativas do Operador Nacional do Sistema de que os reservatórios hidrelétricos chegarão a novembro deste ano com cerca de 10% de armazenamento, o país dependerá de um verão muito chuvoso para que seja possível evitar um racionamento de energia no próximo anos. De acordo com a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), o parque gerador brasileiro deverá crescer para 195 mil MW nos próximos dez anos, segundo estimativas contidas no Plano Decenal de Energia (PDE) 2023. (Valor Econômico – 04.05.2015) 

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