A CPFL Energia, com quase 20 milhões de consumidores em 571 municípios, 7,5 mil funcionários diretos e mais de 6 mil colaboradores indiretos, adotou seu programa de integridade em 2005, no rastro da abertura de capital na Bolsa de Valores de Nova Iorque. A listagem das ações no mercado americano submete a empresa à legislação dos Estados Unidos. No Brasil, onde é listada no Novo Mercado do Ibovespa, que tem normas rígidas de governança corporativa, a companhia mantém treinamento permanente de servidores. Fornecedores são instruídos a seguir o código de ética da empresa e a criar as próprias normas de conduta. Os canais de denúncia estão abertos a todos. O relacionamento com o setor público segue regras meticulosas. Os bons exemplos não são generalizados. Estudo da Deloitte, especializada em consultoria e gestão de risco, revela que só 20% das 124 empresas pesquisadas têm política anticorrupção formalizada e divulgada aos públicos interno e externo. O investimento anual em compliance é de até R$ 1 mi para 76%, valor considerado baixo para a implantação e manutenção de estruturas de conformidade em empresas de médio ou grande porte com relações com o poder público. As que apontaram ter programa de integridade, mas não devidamente divulgados, chegam a 36%. Para a maioria (38%), o dano à reputação é considerado o maior impacto de casos de corrupção. Depois, com 23%, vêm as ações legais contra a empresa e, com 17%, a perda financeira. "Falta ação do mercado correspondente às denúncias de corrupção. Muitas empresas estão procurando consultorias, algumas estão implantando, mas a gente não percebe uma explosão. Com a regulamentação não há mais como adiar o combate ao problema", diz Camila Araújo, sócia-líder do centro de governança corporativa da Deloitte. "A regulamentação estabelece um marco para a implantação da Lei Anticorrupção e a adoção de programas de integridade. Agora, ninguém mais tem desculpa, nem como evitar as consequências", afirma Mercedes Stinco, do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa. (Valor Econômico – 11.05.2015)
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