Incertezas em relação à condução da política econômica, emperrada por problemas de articulação política no Congresso, levaram o clima da economia brasileira a atingir o nível mais baixo em 26 anos. O ICE do Brasil, feito em parceria do instituto alemão Ifo com a FGV, passou de 57 pontos para 49 pontos de janeiro a abril ¬ recuo de 14% e o pior patamar do indicador, cuja série teve início em janeiro de 1989. A pesquisadora do FGV (Ibre) Lia Valls não descartou a possibilidade de continuidade na trajetória descendente do indicador, calculado a partir da Sondagem Econômica da América Latina, com base em entrevistas com 1.092 especialistas em 115 países. De acordo com Lia, a desempenho negativo brasileiro foi tão intenso que ajudou a reduzir a confiança dos analistas em relação à economia de toda a América Latina. OICE, indicador síntese da sondagem latino¬americana, registrou queda de 5,3% entre janeiro e abril, de 75 para 71 pontos. Ao detalhar os dois subindicadores componentes do ICE, Lia informou que houve recuo de 11% no IE; e o ISA avançou 3,4% no período. A economista explicou que o ICE brasileiro foi afetado negativamente pela avaliação do momento por que passa o país. Enquanto o IE caiu 9,5%, para 76 pontos, o ISA caiu 27% no período, para 22 pontos, o mais baixo desde janeiro de 1993 (20 pontos). Ela comentou que, na sondagem, há um quesito que apura os maiores entraves ao crescimento econômico de cada país. No caso do Brasil, a falta de confiança na política econômica ocupou a primeira posição entre os fatores limitantes do crescimento. Quando questionada sobre os fatores que elevaram a desconfiança dos analistas em relação a esse quesito, no Brasil, Lia lembrou que, nos últimos meses, houve embates entre os poderes Executivo e Legislativo, com dificuldade para o governo aprovar suas medidas no Congresso. Isso acaba por afetar a avaliação da condução de política econômica. Embora tenha considerado como voltadas para a "direção certa" as ações anunciadas nesse campo ¬ como as de ajuste fiscal, por exemplo ¬, Lia reconheceu que o governo não está conseguindo "aprovar o que quiser, sem problemas" no Congresso, como já foi no passado. "Estamos em uma situação inusitada", afirmou. Para ela, é possível que o ICE brasileiro continue a cair. Isso porque o indicador tem forte aderência aos indicadores de crescimento econômico ¬ e o mercado, atualmente, prevê PIB negativo para 2015. (Valor Econômico – 13.05.2015)
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