Notícias do setor
19/05/2015
Lava-Jato pode implicar ajuste na Eletrobras, diz KPMG

Após a Petrobras ter finalmente conseguido o aval dos auditores para publicar seus balanços, foi a vez de outra estatal, a Eletrobras, de energia, entrar na discussão sobre a veracidade de suas demonstrações financeiras. A KPMG deu um parecer com ressalva ao balanço do primeiro trimestre da estatal, alegando que não é possível determinar se havia necessidade de ajustes por conta de denúncias na operação Lava¬Jato. Os problemas dizem respeito a Eletronuclear. No mês passado, o ex-presidente da Camargo Corrêa, Dalton Avancini, disse em delação premiada que houve promessa de pagamento de propina ao PMDB e a dirigentes da subsidiária na obra de Angra 3. O esquema teria envolvido altos funcionários, entre eles o diretor-¬presidente da Eletronuclear, Othon da Silva, para determinar que construtoras serão vencedoras do leilão. Após o depoimento, Silva pediu licença do cargo e o conselho de administração da Eletrobras anunciou a contratação de uma firma independente para conduzir investigações. Um parecer vem com ressalva quando há discordância do auditor sobre algum lançamento ou conta do balanço ou quando há "limitação de escopo", ou seja, dificuldade do profissional para checar algum saldo ou procedimento adotado. A ressalva acende a luz vermelha para reguladores de mercado e investidores. Apesar de ter arquivado o balanço, a Eletrobras ainda não tem data para divulgar seu formulário 20¬F na Securities And Exchange Comission (SEC), a CVM americana. O documento ¬ espécie de raio-¬X corporativo ¬ deveria ter sido entregue em 30 de abril. A estatal pediu novo prazo para sexta¬-feira, que novamente não foi cumprido. A SEC exige que todas as empresas estrangeiras que tenham ações negociadas em bolsa nos Estados Unidos apresentem o relatório anual. A disponibilização dos dados costuma ser exigência de contratos com credores. O atraso ocorreu por conta das denúncias da Lava¬Jato e porque o auditor da Energia Sustentável do Brasil, responsável pela hidrelétrica de Jirau, não se considerou independente de acordo com as regras americanas, atrasando o balanço de 2014 que deveria incluir os números da usina. A estatal encerrou o primeiro trimestre com lucro de R$ 1,26 bi, com alta de 21,4%, em relação ao mesmo período de 2014. A receita subiu 22,7%, para R$ 8,6 bi. O resultado foi impulsionado principalmente pelo contrato de Itaipu Binacional, no qual a Eletrobras tem participação de 50% e cujas receitas financeiras são apuradas em dólar. (Valor Econômico – 18.05.2015) 

 

Localização
Av. Ipiranga, nº 7931 – 2º andar, Prédio da AFCEEE (entrada para o estacionamento pela rua lateral) - Porto Alegre / RS
(51) 3012-4169 aeceee@aeceee.org.br