Notícias do setor
01/06/2015
Inflação repete mesma dinâmica vista em outras crises

A resistência da inflação de serviços em períodos de queda da atividade econômica não é um fenômeno restrito a 2015. Os preços que cedem mais rapidamente e com mais força em conjunturas recessivas são os de bens duráveis, que têm peso pequeno no IPCA, de 10,5%. Essa configuração parece estar se repetindo neste ano, uma vez que, nos 12 meses encerrados em abril, o grupo que reúne itens como aluguel, cabeleireiro e empregada doméstica e responde por pouco mais de um terço do IPCA avançou 8,34%. Em igual comparação, a alta dos duráveis foi de apenas 3,32%. O professor Luiz Roberto Cunha, da PUC-Rio, observa que, em 2009 - quando o PIB recuou 0,2% e o IPCA desacelerou mais de um ponto percentual em relação a 2008, para 4,31% - os preços de serviços não deram refresco e ficaram praticamente estáveis entre um ano e outro, ao passarem de 6,39% para 6,37%. Já os bens duráveis caíram 1,89% em 2009, após deflação de 0,01% em 2008. Mesmo em 2003, quando a inflação total foi influenciada por uma forte desvalorização cambial e saltou 9,3%, os duráveis foram o subgrupo com melhor comportamento dentro do índice, nota Cunha, ao aumentarem 3,88%. Naquele ano, a inflação de serviços foi de 7,32%. Para o economista da PUC-Rio, os serviços devem responder neste ano e no próximo ao cenário de queda da renda e menor criação de ocupações, mas as transformações estruturais que ocorreram no mercado de trabalho na última década reduziram a oferta no setor ao mesmo tempo em que elevaram a demanda por serviços, o que impõe um ritmo mais lento a essa descompressão. "Os serviços não vão continuar rodando a 8% ao ano, mas não vão voltar ao centro da meta", diz Cunha, para quem os serviços devem encerrar 2015 em 8,13%. (Valor Econômico – 29.05.2015) 

 

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