O BNDES pode se tornar uma nova fonte de parâmetros de risco de crédito. Com a abertura de informações sobre taxas de juros, prazos e garantias cobrados nos financiamentos, ocorrida no início de junho, o banco torna disponível parte valiosa da avaliação sobre seus clientes e, no limite, poderia, dizem alguns especialistas, funcionar quase como uma "agência de rating" e influenciar decisões até mesmo de outros agentes. Ainda que sigam protegidas informações sobre a "intimidade" de cada empresa, como situação financeira, alavancagem e estrutura de endividamento, o detalhamento maior das condições de cada contrato torna possível inclusive fazer comparações entre companhias ou governos. "É uma avaliação preliminar. Agora se passou a ter uma ideia da avaliação técnica do BNDES sobre os riscos de mutuários e sobre a qualidade dos projetos de investimentos", diz José Roberto Afonso, pesquisador do Ibre da Fundação Getulio Vargas e professor do IDP. No setor específico de administração pública, por exemplo, entre 2012 e 2015, a maior taxa de juros se refere a um empréstimo feito ao município de Itajaí (SC). De um contrato de R$ 6 milhões para melhorias na administração tributária, o BNDES cobrou TJLP mais 5% ao ano em 72 meses. Na outra ponta, Goiás e Espírito Santo conseguiram condições bem mais vantajosas: em contratos entre R$ 1,5 milhão (Goiás) e R$ 2,8 milhões (Espírito Santo), os Estados conseguiram TJLP mais 0,8% em 180 meses. No geral, os empréstimos feitos à administração pública desde 2012 ¬ período por enquanto disponibilizado pelo BNDES ¬ contaram com juros entre 0,5% e 5%. É possível ver ainda que o custo financeiro da maioria dos contratos foi atrelado à TJLP, mas algumas operações tiveram o IPCA ou até mesmo a Selic como indexador ¬ caso do contrato de R$ 121,5 milhões, de novembro de 2013 para o plano de investimento: Selic mais 3,4% ao ano em 132 meses. (Valor Econômico – 15.06.2015)
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