O que o empreiteiro Ricardo Pessoa sabe é considerado "explosivo" do ponto de vista político. Muito se especula que o empreiteiro tem bala para comprometer o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e sua sucessora, a presidente Dilma Rousseff.
Joelma Pereira e Marcelo Rocha
O ministro relator da Operação Lava-Jato no STF (Supremo Tribunal Federal), Teori Zavascki, homologou nesta quinta-feira (25) a delação do empreiteiro dono da UTC, Ricardo Pessoa. A decisão não foi divulgada pelo ministro, porém, a defesa de Pessoa confirmou a homologação. A delação foi firmada em março com a PGR (Procuradoria-Geral da República) e há cerca de um mês vinha sendo ajustada a pedido do relator.
Agora, com a homologação do ministro, uma nova fase das investigações se inicia, dentro da delação do empreiteiro. Os suspeitos citados por Pessoa deverão ser ouvidos na investigação pela Polícia Federal e a PGR. Por enquanto, o conteúdo da delação será mantido em sigilo. Somente será liberado quando a PGR solicitar abertura formal das investigações, após constatados indícios consistentes dos crimes cometidos pelos envolvidos no esquema de desvios da Petrobras. Novos inquéritos deverão ser abertos no Supremo caso a delação aponte novos nomes de políticos envolvidos no esquema.
O que Pessoa sabe é considerado "explosivo" do ponto de vista político. Muito se especula que o empreiteiro tem bala para comprometer o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e sua sucessora, a presidente Dilma Rousseff, além de ministros e parlamentares. Um indicativo disso é que, ao contrário das delações premiadas anteriores, as tratativas entre o MPF e os advogados do empresário ligado à UTC foram conduzidas por um grupo de procuradores sob a supervisão direta do procurador-geral da República, Rodrigo Janot.
O empresário Ricardo Pessoa é apontando nas investigações da Operação Lava-Jato como o coordenador do "clube do bilhão", como ficou conhecido o cartel de empreiteiras acusadas de fraudar licitações da Petrobras. Pessoa foi alvo da Juízo Final, a 7ª fase da investigação deflagrada em novembro de 2014. Ele ficou preso até abril passado, quando decisão do Supremo o liberou da cadeia.
Antes de ser preso, Pessoa vinha discutindo com os procuradores da República a possibilidade de uma delação premiada, a exemplo do que fizeram outros acusados como ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa e o doleiro Alberto Youssef. O período na cadeia interferiu nessas negociações, mas tão logo ele foi liberado, as conversas com o MPF (Ministério Público Federal) foram retomadas. Na última semana do mês passado, ele esteve em Brasília para acertar os detalhes finais do acordo. Vai colocar no papel o que sabe sobre as irregularidades na Petrobras para tentar amenizar sua situação perante à Justiça.
Inquéritos do Supremo
Nesta quinta-feira (25), a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República solicitaram ao ministro Teori mais 60 dias para concluir as investigações. Entre os inquéritos ainda inconclusos estão os dos presidentes do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), do senador Edison Lobão (PMDB-MA) e da ex-governadora do Maranhão Roseana Sarney.
No pedido realizado pela PF, o delegado informa que “a quase totalidade dos investigados negou até mesmo ter tido qualquer contato, público ou privado” com Paulo Roberto e Youssef. De acordo com a argumentação, o prazo seria para tentar acareação entre os envolvidos: “Busca-se comparar as versões apresentadas, visando enfatizar aspectos importantes acerca dos fatos imputados e, se for o caso, acarear-se os investigados com os delatores acerca dos argumentos divergentes apresentados”.
Em abril, o ministro Teori já havia acatado pedido da PGR e da PF para que fossem prorrogados o prazo das investigações nos inquéritos referente à Lava-Jato e estendido o período por mais 60 dias. De acordo com este prazo, o período se encerraria no início da próxima semana.
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