A perda das concessões de três hidrelétricas que já venceram ou estão próximas do vencimento pode cortar o resultado operacional da Cemig pela metade e dificultar a estratégia da companhia de crescer por meio de aquisições, apontam especialistas. Na quarta-feira, o STJ negou a liminar movida pela companhia para manter a concessão da Jaguara, numa decisão que se aplica também à hidrelétrica de São Simão. Em ambos os casos, as licenças de operação já tinham vencido, mas a empresa entendia que tinha direito a uma renovação automática por mais 20 anos. No próximo mês, vence ainda a concessão de Miranda. Juntas, essas usinas representam 40% da capacidade total da estatal, de 6.168 MW. Essas usinas vinham impulsionando os resultados da Cemig porque tinham energia disponível para ser vendido no mercado de curto prazo, a preços bastante elevados. Nas contas do Citi, os empreendimentos geravam lucro de cerca de R$ 375 mi por mês. Já o Credit Suisse aponta que, desde agosto de 2013, quando foi concedida a liminar, Jaguara rendeu R$ 4,7 bi em receita bruta. O Itaú BBA afirma que a perda das três usinas pode reduzir o resultado Ebitda de 2016 em 40%. Com isso, a estratégia de crescer por aquisições pode ser prejudicada, pois a empresa precisa de fluxo de caixa livre para financiar a expansão, em meio ao seu endividamento elevado. A direção da Cemig já anunciou que estava avaliando o pacote de térmicas que estão sendo colocadas à venda pela Petrobras. Crescer por meio de novos projetos é relevante para a companhia, pois além das três usinas em que acredita ter direito a renovação e que contestava na Justiça, a Cemig concordou em devolver à União outros 18 empreendimentos, com 1.066 MW de potência, que vencem agora em julho. A não renovação de Jaguara, São Simão e Miranda não estava nas contas da Cemig. Há cerca de um mês, quando divulgou suas metas de médio prazo, a companhia considerou a manutenção dos empreendimentos. Na ocasião, o diretor financeiro Fabiano Maia afirmou que o intervalo de R$ 2,9 bi a R$ 3,9 bi para o Ebitda do próximo ano levava em conta os cenários de preços possíveis dentro das negociações que estavam ocorrendo com a União. Desde que o governo de MG foi assumido pelo PT, a empresa tenta chegar a um meio ¬termo, com a renovação dos contratos a um preço de energia não tão alto quanto no contrato atual, mas acima dos valores deprimidos de operação e manutenção oferecidos pelo governo federal. Ontem, os papéis preferenciais da Cemig caíram mais 4,15%, para R$ 11,54, após o recuo de 8% da quarta-feira. Analistas não consideravam a renovação nas suas projeções e mantiveram seus preços-alvo para o ativo, que variam de R$ 10 a R$ 14,50. Para o Credit Suisse, se as concessões fossem prorrogadas, o preço-justo poderia chegar a até R$ 20,30. (Valor Econômico – 26.06.2015)
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