O secretário do Tesouro Nacional, Marcelo Saintive, tem que perseguir um superávit primário mensal médio de R$ 6,95 bi até o fim do ano, ou R$ 48,67 bi, para entregar a meta do governo central de R$ 55,3 bi. Para dar uma dimensão de quão difícil será a tarefa, entre janeiro e maio ele economizou R$ 6,626 bi, pior resultado desde 1998. Tal valor representa 12% da meta. Para piorar a situação, sem a retomada da economia brasileira, a arrecadação não tem reagido. No acumulado de janeiro a maio, o recolhimento de impostos e tributos teve uma queda real de 2,95% ao totalizar R$ 510,117 bi. Diante do cenário, Saintive foi perguntado insistentemente se vai entregar o resultado primário do ano. "Nosso objetivo é perseguir a meta" disse e, repetindo o chefe, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, afirmou não acreditar que "seja o momento adequado" para a discussão. Lembrou ainda que a LRF determina revisões a cada dois meses e "é neste momento que se reavalia receitas e despesas". Segundo o secretário, é preciso ter cuidado com o cenário macroeconômico, pois o momento ainda é de muita incerteza. Além disso, o Tesouro conta com novas medidas, que não foram detalhadas, e com receitas extraordinárias, vindas da abertura de capital da área de seguros da Caixa e da resseguradora IRB Brasil, e dos projetos de concessões. "Receitas extraordinárias são receitas. Contamos com elas. Não sou contrário a receber receitas não recorrentes", disse. De acordo com Saintive, o mais importante é que a equipe econômica trabalha com consolidação fiscal de longo prazo. Ele apontou que as despesas estão recuando para o nível de 2013, mas ponderou que a rigidez de gastos é muito difícil. Ao resumir o relatório fiscal de maio (um déficit primário em R$ 8,05 bi), Saintive disse, conformado, "que é o resultado que conseguimos apresentar. Os gastos são rígidos e têm certa inércia na possibilidade de redução. E a receita segue o nível de atividade econômica" (Valor Econômico – 26.06.2015)
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