Os gastos públicos estão entre os maiores inibidores da confiança no país, segundo a avaliação atual do mercado. A afirmação foi feita pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy, ao sair de uma reunião com um grupo de 16 economistas de bancos, consultorias e confederações, ontem em Brasília. "Muitos falaram que essa questão do gasto público e de novas despesas obrigatórias é talvez hoje um dos maiores inibidores da confiança no Brasil", afirmou Levy. "A reunião foi ótima, ouvi coisas superbacanas. " Segundo o ministro, foram discutidos durante o encontro "questões estruturais, agenda, obviamente a questão fiscal, a importância de se evitar riscos de maiores gastos, porque isso afeta muito a confiança do investidor". Ao lado de Levy, participaram da reunião os secretários Marcelo Saintive (Tesouro) e Afonso Arinos Mello de Franco Neto (Política Econômica). O objetivo, segundo a Fazenda, era o de discutir cenários e caminhos da economia. Segundo relato de participantes, o ministro mais ouviu do que emitiu opiniões a respeito do cenário macroeconômico. Segundo o economista-chefe do Banco Safra, Carlos Kawall, o encontro foi nos moldes dos promovidos pelo BC para confecção do relatório de inflação, nos quais a autoridade monetária capta a percepção do mercado. O chefe da divisão econômica da CNC, Carlos Thadeu de Freitas, disse que a conversa foi "para saber o que achamos da atual política econômica, trocar ideia". Segundo Freitas, o ministro afirmou que é preciso ter uma nova agenda de crescimento e defendeu a política fiscal rígida. Freitas falou para o ministro que a política monetária atual é "muito romântica" e que tem de ser "mais realista" e defendeu que se ajustasse a meta de inflação de 4,5% "para algo compatível com a nossa realidade". Segundo Freitas, não se falou em redução da meta de superávit primário. (Valor Econômico – 26.06.2015)
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