Notícias do setor
30/06/2015
Montadoras e fornecedores buscam socorro bilionário de suas matrizes

De tábua de salvação na crise financeira internacional de 2008/2009, quando o então pujante mercado local ajudava a socorrer multinacionais em dificuldades nos Estados Unidos e na Europa, a indústria automobilística brasileira se tornou dependente de seus controladores no exterior para financiar desde os projetos de longa maturação aos compromissos do dia a dia com fornecedores. Ao mesmo tempo em que cortam as remessas de lucro ao menor nível em mais de uma década, as montadoras e seus grandes fornecedores de autopeças buscam como nunca o socorro das matrizes com o objetivo de dar continuidade a programas de investimento que já estavam em curso, bem como cobrir déficits provocados pelo descasamento entre o caixa gerado pelas operações e as contas que precisam ser honradas no curto prazo. Desde o início do ano, as filiais brasileiras já receberam inéditos US$ 2,36 bilhões - ou mais de R$ 7,3 bilhões, pela cotação atual - em empréstimos feitos por companhias do mesmo grupo empresarial sediadas no exterior, os chamados "empréstimos intercompany". O montante mais do que quadruplica as captações feitas por linhas corporativas internacionais em igual período de 2014 (US$ 517 milhões), conforme mostram dados do Banco Central (BC). Entre 2007 e 2011, período em que a grande recessão americana quase quebrou as gigantes General Motors (GM) e Ford, vender automóveis e peças no Brasil - um negócio em franca ascensão na época - rendeu a matrizes estrangeiras lucro de mais de US$ 20 bilhões. Enquanto as captações alcançam marcas históricas, os repasses de lucro das montadoras e dos grandes sistemistas de peças estão no patamar mais baixo em onze anos. Com o pior consumo de veículos dos últimos oito anos; gastos crescentes em indenizações trabalhistas, dado o agressivo ajuste de mão de obra nas fábricas; e custos mais altos das matérias-primas, em especial, a energia elétrica, a prioridade tem sido preservar o caixa, tornando mais escassos os recursos disponíveis à remuneração de investidores. Em paralelo, diante do aumento dos juros no Brasil, recorrer a linhas de crédito corporativas tem se mostrado uma saída mais barata à maior necessidade de financiamento do capital de giro, o que explica a alta demanda por empréstimos das matrizes. (Valor Econômico – 29.06.2015) 

 

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