Responsável pela construção de quase 4 mil quilômetros de linhas de transmissão no Brasil, a espanhola Isolux Corsán está mais reticente em investir no país e deve ter participação mais tímida nos cerca de R$ 10 bilhões em investimentos em novas linhas que devem ser licitadas neste ano pelo governo, afirmou o presidente mundial da companhia, Antonio Portela, em entrevista ao Valor. "Obras são amores", afirma. Mas, por aqui, o relacionamento, que começou nos anos 2000 e resultou na atração de 50% dos investimentos em infraestrutura feitos pelo grupo, não vai bem. "Tenho um coração partido", lamenta, fazendo alusão a uma música de seu conterrâneo, o cantor romântico Alejandro Sanz. O problema, explica, é a relação complicada com as agências regulatórias e órgãos administrativos, segundo ele pouco sensíveis aos desafios enfrentados pelos investidores de grandes obras. "Cremos no país, mas ao mesmo tempo a hostilidade que temos enfrentado nos projetos que já temos dá uma enorme preocupação", afirma. A experiência mais traumática foi a construção de 1,2 mil quilômetros do linhão de transmissão de Tucuruí, que conectou a usina à cidade de Macapá e permitiu a conexão do Amapá ao Sistema Interligado Nacional (SIN). De acordo com a Isolux, a obra, considerada um grande desafio de engenharia, custou mais de R$ 3 bilhões, bem acima dos R$ 2,2 bilhões estimados no contrato de concessão. O grupo pediu à Aneel uma revisão do contrato, mas teve o pedido negado em primeira instância. A Isolux alega que houve atraso na obra por conta da demora do Ibama em emitir licenças ambientais. A construção começou apenas em 2011, três anos depois da assinatura do contrato. De acordo com a Aneel, o processo está agora com a diretoria da agência, que solicitou esclarecimentos ao órgão ambiental. Para os espanhóis, contudo, as chances de vitória são pequenas. "Não estamos nada confiantes porque vemos que o diálogo é sem retorno", diz Portela, que não descarta ir à Justiça caso tenha o pleito negado. "Há um desejo político muito positivo de se impulsionar os investimentos e a interface com o governo é boa. Mas a máquina administrativa considera o investidor mais como um inimigo do que um sócio", afirma. (Valor Econômico – 02.07.2015)
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