Oficialmente, o BC tem repetido que o impulso fiscal segue neutro, mas internamente já trabalha com a perspectiva de que o ajuste nas contas públicas promovido pelo governo vai dar uma contribuição importante para baixar a inflação em 2016, ano que virou o principal alvo da política monetária. Boxe divulgado no Relatório de Inflação de junho, que revisa os modelos econômicos do BC, mostra que um aumento no superávit primário estrutural começa a ter resposta na queda da inflação depois de um ano, e atinge o seu efeito máximo sobre o índice de preços ao consumidor em dois anos. Na prática, isso significa que, hoje, a economia ainda responde à política fiscal expansionista do ex-ministro da Fazenda Guido Mantega e do exsecretário do Tesouro, Arno Augustin. O aperto patrocinado pelo atual ministro, Joaquim Levy, só vai bater na inflação em 2016. O Copom vem repetindo que "no horizonte relevante para a política monetária, o balanço do setor público tende a se deslocar para a zona de neutralidade e não descarta a hipótese de migração para a zona de contenção". Conforme 2016 se torna mais próximo, o BC deverá fazer ajustes na sua comunicação para indicar que a política fiscal começará a ter efeito para baixar a inflação. Mas, aqui e ali, o BC já tem indicado que suas projeções de inflação já contemplam um impulso fiscal contracionista em 2016. (Valor Econômico – 08.07.2015)
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