A Receita Federal já projeta uma frustração de, no mínimo, R$ 38 bi na arrecadação do ano menos de dois meses depois de divulgar a primeira estimativa oficial das receitas de 2015. A queda nos recursos disponíveis no caixa do governo significa que o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, terá que aprofundar o corte de gastos ou buscar fontes adicionais de receitas. Na próxima semana, o governo tem que divulgar o segundo decreto de programação de receitas e despesas do ano e precisará indicar como compensará o efeito da queda da arrecadação. Estudo apresentado ontem pelo Fisco estima que a receita administrada em 2015 deve ser inferior a R$ 810 bi, considerando a previsão de retração de 1,5% do PIB que consta do boletim Focus, do BC. Em maio, quando divulgou o primeiro corte no Orçamento, a equipe econômica projetou a receita do ano em R$ 848,328 bilhões, levando em conta uma queda de 1,2% do PIB deste ano. De acordo com o chefe do Centro de Estudos Tributários e Aduaneiros da Receita Federal, Claudemir Malaquias, as estimativas contidas no estudo não servem como indicador da arrecadação que será usada pelo governo para elaborar o decreto de gastos na próxima semana. "Não tenho quanto vou arrecadar em 2015", afirmou Malaquias. O dado final depende de outras receitas que não são diretamente administradas pelo Fisco. Pode haver, por exemplo, ganhos em receitas com concessões ou vendas de bens públicos que não fazem parte do universo analisado no estudo da Receita. Apesar disso, o documento dá ideia da dificuldade que o governo terá para atingir a meta de superávit primário de 1,1% do PIB fixada para este ano. (Valor Econômico – 16.07.2015)
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