Notícias do setor
05/08/2015
Repaginação da Petrobras vai muito além do compliance

04/08/2015

A juíza Ellen Grace, integrante do comitê especial criado para acompanhar as investigações internas sobre corrupção na Petrobras, tem a discrição como sua regra de ouro. Mas fez uma pequeníssima confidência que reflete com perfeição o espírito na empresa.
Para ela, sob o aspecto econômico-financeiro, os problemas são assustadores; mas do ponto de vista da comunicação interna e externa, do compliance e das práticas de governança, a companhia está ficando um lustro.
Na última sexta- feira, as palavras de Ellen fizeram coro com a apresentação de Aldemir Bendine, que divulgou as novas regras para o relacionamento entre a estatal e seus mais de 13 mil fornecedores.
No entanto, a cereja no sundae da governança, ainda tratada com discrição, diz respeito à liberação de pagamentos de grandes contratos a terceiros. Na época de Paulo Roberto Costa, Renato Duque & Cia., bastava uma única assinatura para que bilhões fossem movimentados.
Agora, a quitação de compromissos de maior monta exige a aprovação de dois diretores, além do imprimatur do próprio Conselho de Administração. Em outro front, o comando da Petrobras tem dado uma atenção maior à ouvidoria- geral.
O posto vem sendo ocupado interinamente pelo engenheiro Ricardo Antônio Abreu Landa, há 38 anos na estatal. A companhia está à procura de um novo profissional para o cargo. O antigo responsável pela área, Paulo Otto Von Sperling, foi afastado em maio deste ano. Com o advento da Lava Jato, descobriu-se que Sperling, ex-assessor de José Dirceu, era um ouvidor que ouvia mal. Em seis anos no cargo, entre as centenas de denúncias que recebeu, ele teria dado andamento a investigações em apenas duas delas.
A transmutação da estatal se reflete também na comunicação institucional. Os excessos da gestão de Maria das Graças Foster deram lugar a uma postura bem mais sóbria. Em meio à fervura da Lava Jato, não há um deslize ou resposta fora do tom tanto junto à imprensa quanto nos meios de comunicação da própria companhia, sobretudo nas mídias digitais.
As declarações da diretoria e do próprio presidente se tornaram raras, e, quando feitas, extremamente contidas. Aldemir Bendine toca de ouvido com o presidente do Conselho, Murilo Ferreira, responsável pela interlocução junto ao governo, notadamente Dilma Rousseff.
A miríade de interlocutores e coadjuvantes que caracterizava a comunicação institucional nas gestões anteriores desapareceu. A performance do novo comando começa a agradar o espírito corporativo da estatal.
Quem conhece a empresa sabe que ganhar a admiração dos funcionários é ganhar sua alma. Tudo a seu tempo. No curto prazo, o dever de casa das restrições é inevitável. Não é à toa que, no último dia 24, houve uma greve nas unidades operacionais da companhia e já se discute uma nova paralisação (Relatório Reservado, 4/8/15)

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