Se o dólar realmente vier a ser comercializado a R$ 4,00 no fim do ano, conforme indicam as previsõe do mercado, as empresas que atuam no país vão gastar adicionalmente na amortização de seus débitos externos quase uma Petrobras inteira em 2015.
O volume a mais de gastos para quitar o passivo em dólar será o recorde de todos os tempos, ou seja, R$ 130 bilhões. As sequelas mais prováveis são uma redução bruta do estoque de investimentos, rebaixamento do rating de diversas companhias – notadamente as que não são exportadoras –, o encarecimento do custo financeiroe a desnacionalização da economia.
Para se ter uma ideia da exposição das empresas ao mítico dólar de R$ 4,00, segundo informações do Banco Central, 16% do total de empresas não contam com qualquer forma de hedge e outros 16% têm um hedge considerado imperfeito.
O número é gigantesco sob qualquer aspecto de comparação. Ele representa quatro vezes o orçamento do Bolsa Família para este ano e 14 vezes a meta de superávit primário ajustada para 2015. A oneração dos custos de pagamento das dívidas externas das empresas no Brasil ainda terá o efeito colateral de dificultar a redução da oferta de swap cambial, que hoje tem um estoque total de US$ 102 bilhões, resultado em maior pressão sobre os custos fiscais do governo federal (Relatório Reservado, 7/8/15)
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