No trimestre encerrado em junho, a população desocupada (8,4 milhões de pessoas) cresceu 5,3 por cento frente ao trimestre imediatamente anterior. Na comparação com igual período de 2014, o salto foi de 23,5 por cento, de acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua divulgada nesta terça-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Nos três meses até maio, a taxa de desemprego tinha ficado em 8,1 por cento. No primeiro trimestre do ano, ela foi de 7,9 por cento.
"Teve aumento da desocupação provocado por maior procura e a geração de postos de trabalho não alcança toda essa população procurando trabalho", afirmou o coordenador de trabalho e rendimento do IBGE, Cimar Azevedo.
"Há pressão forte sobre o mercado de trabalho, que é reflexo do cenário econômico. O cenário econômico não atende a demanda", acrescentou.
A renda média real habitual recuou 0,5 por cento no segundo trimestre na comparação com um ano antes, a 1.882 reais.
Os resultados reforçam a deterioração do mercado de trabalho observada desde o início do ano, num ambiente de profunda fraqueza econômica e baixa confiança. Aos fatores econômicos, soma-se a grave crise política, que vem gerado insegurança entre consumidores e empresas.
Dados divulgados na semana passada já vinham apontando que a trajetória do mercado de trabalho não deve melhorar tão cedo.
A Pesquisa Mensal de Emprego (PME) do IBGE, que leva em conta dados apurados apenas em seis regiões metropolitanas do país, mostrou que a taxa de desempregou saltou para 7,5 por cento em julho, maior nível em mais de 5 anos, em consequência do aumento de quase 10 por cento da população desocupada.
Segundo dados do Ministério do Trabalho, o Brasil fechou 157.905 vagas formais de trabalho no mês passado, pior resultado para julho da série histórica iniciada em 1992.
A despeito da performance econômica fraca, a resiliência do mercado de trabalho vinha sendo um dos trunfos do governo da presidente Dilma Rousseff, especialmente durante sua campanha à reeleição, no ano passado.
A Pnad Contínua tem abrangência nacional e vai substituir a PME (Reuters, 25/8/15)
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