Notícias do setor
04/09/2015
18 empresas brasileiras estão no limite para perder selo de bom pagador

Além da Petrobras e Odebrecht, investigadas na Operação Lava-Jato, empresas de construção civil e do setor elétrico estão na mira das agências internacionais de classificação de risco e podem peder o grau de investimento a qualquer momento

Laís Lis

Importante sinalizador da saúde financeira de grandes empresas, as notas de crédito das principais agências de risco do mundo indicam que 18 empresas brasileiras estão no limite para perder o grau de investimento, que é uma espécie de selo de bom pagador. A nota atribuída a essas empresas é o último patamar do grupo considerado uma ótima opção de investimento. Além disso, elas estão com perspectiva negativa, que indica uma tendência de que a nota pode ser revisada no prazo de até 12 meses.

Na lista estão a Odebrecht e a Petrobras, envolvidas no escândalo de corrupção investigado pela Operação Lava-Jato. As duas estão na iminência de perder o grau de investimento na escala de duas das principais agências internacionais, a Standard&Poor’s e a Fitch. A Moody’s, a terceira entre as maiores e mais tradicionais do mundo, já tirou esse selo da Petrobras.

Na mira das dessas agências, estão também Braskem, Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo, Compas, Samarco, Klabin e muitas empresas de energia: Coelba, Cesp, Cosern, Neoenergia, Transmissora Alianca de Energia Elétrica, Duke Energy International Geração Paranapanema, AES Tiete, Bandeirante Energia, Energest, Celpe e Escelsa.

Sobre as empresas de energia elétrica, relatório da Moody’s afirma não esperar que o setor de eletricidade retome seu equilíbrio financeiro no curto prazo. “Os reservatórios do Brasil vão precisar de mais do que um ano para serem totalmente reabastecidos após as graves secas de 2014 e de 2015.

Para o professor da FGV (Fundação Getúlio Vargas), Patrick Behr, perder o grau de investimento pode significar um prejuízo muito grande para as empresas quando vão se financiar no mercado. “Essa nota determina grande parte do custo de financiamento das empresas. Notas melhores significam que essas empresas podem investir mais e com retornos mais altos”, afirmou Behr. O professor alerta ainda que muitos fundos de investimentos, que compram títulos de dívida de empresas não podem, por seus estatutos, investirem em países ou em empresas que não tem grau de investimento.

Construção

Na lista de mais de 100 empresas que a Fitch acompanha, 14 estão em perspectiva negativa, com destaque para companhias da construção civil, uma de cimento e grandes construtoras envolvidas com as investigações da Operação Lava-Jato, como a Odebrecht, Camargo Correa e Andrade Gutierrez. Do total, 36 empresas não têm grau de investimento.

A Moody´s tem 29 empresas da sua lista com perspectiva negativa, a maioria do setor de energia elétrica, 45 empresas já estão com notas de crédito abaixo do patamar de bom local para se investir. Já a Standard&Poor’s tem 30 empresas com perspectiva de crédito negativa.

A lista de empresas brasileiras com perspectiva positiva é restrita, nas três agências. De acordo com a lista de classificação disponível no site da Fitch, há duas empresas com perspectiva positiva para a nota de crédito, BR Malls, ligada ao comércio varejista de shoppings centers, e Hypermarcas, dona de uma série de marcas de produtos farmacêuticos. A Standard&Poor’s também tem duas e a Moody’s, quatro.

 “Essa nota determina grande parte do custo de financiamento das empresas. Notas melhores significam que essas empresas podem investir mais e com retornos mais altos”Patrick Behr, FGV

Risco Brasil

Todas as empresas brasileiras podem sofrer caso as agências de risco alterem, para baixo, a nota de crédito do país. A possibilidade foi levantada por analistas do setor financeiro depois que o governo enviou ao Congresso Nacional o projeto de Lei Orçamentária de 2016 com previsão de deficit de R$ 30,5 bilhões.

Segundo o diretor para América Latina de ratings corporativos do setor de indústrias pesadas da Standard&Poor's, Diego Ocampo, quando a agência de risco altera o soberano de um país ela também reavalia o rating de companhias que estão no mesmo nível do soberano.

Ocampo explica que normalmente o rating do país funciona como uma espécie de teto para notas de créditos de empresas, mas algumas companhias podem ficar acima desse teto. “Quando dá o rating para algum país e a empresa fica acima dessa nota, é porque ela deve sobreviver a um stress muito forte do soberano”, afirmou.

O diretor destaca que geralmente são empresas com negócios fora do país, com volume expressivos de produtos para exportação, com dívida em moeda local e com vencimentos de dívidas em prazos razoáveis.

Atualmente, só Ambev tem nota nível A tanto na Standard&Poor’s quanto na Moody’s. A seu for, por exemplo, pesam os baixos níveis de endividamento e a grande atuação no mercado internacional. A Fitch não avalia mais a Ambev, mas antes de retira-la da sua lista, em agosto deste ano, a empresa também tinha nota nível A, que significa que ela tinha baixa expectativa de inadimplência.

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