Diante de um crise sem precedentes e buscando há algum tempo apresentar ao governo a difícil situação da siderurgia brasileira, na semana passada, em São Paulo, os representantes das principais fabricantes de aço no país estiveram com o Ministro da Economia, Joaquim Levy. Participaram do encontro, que durou mais de uma hora e meia, os empresários Jorge Gerdau (grupo Gerdau) e Benjamin Steinbruch (CSN), o principal executivo da ArceloMittal e também presidente do conselho do Instituto Aço Brasil, Benjamin Baptista, o presidenteexecutivo da entidade, Marco Polo de Mello Lopes, Rômel de Souza, que preside a Usiminas, André B. Gerdau Johannpeter, da Gerdau S.A. "Mostramos ao ministro que a conjugação de fatores estruturais, como elevado custo da energia, carga tributária, juros e câmbio e conjunturais da economia do país levaram o setor a enfrentar a pior crise da história", afirma Mello Lopes. A queda de venda das siderúrgicas no país para este ano está prevista em 16%, até o desempenho de agosto, e o consumo aparente (que soma as importações) projeta cair 13%. Segundo o executivo, foi destacado ao ministro que o cenário do setor se agrava ainda mais com o excedente de oferta 700 mil de toneladas. "Se não bastasse isso, mais 106 milhões de toneladas devem entrar no mercado até 2017, oriundo principalmente da China, Índia e Norte da África". "Dissemos ao ministro que, se nada for feito, o Brasil chegará a 2014 com quase metade (46%) de seu consumo de aço abastecido por meio de importações", diz Melo Lopes. E quem está usufruindo isso, aponta, é a China, pois está exportando produção excedente a preços abaixo de custo. Em 2000, apenas 1,3% das importações do Brasil - que eram menos de 5% do consumo - vinham da China. Em 2014 já representaram 52% - o correspondente a 2,1 milhões de toneladas. O setor informou a Levy que a siderurgia no país opera com 69% da capacidade, na média. E que as empresas já paralisaram várias instalações de produção e demitiram mais de 12 mil pessoas em doze meses e pode cortar mais. (Valor Econômico – 08.09.2015)
Localização
(51) 3012-4169
aeceee@aeceee.org.br