O presidente da concessionária ESBR, Victor Paranhos, enviou carta à Aneel e às distribuidoras de energia no dia 28 de agosto com a proposta inusitada. Citando a decisão judicial da JF-RO, o executivo diz que a usina tem um "crédito" a receber. Por iniciativa própria, a empresa sugere que as distribuidoras paguem suas "dívidas" de forma parcelada, "sem que haja impacto tarifário". Pela proposta, Jirau estabelece um prazo de pagamento a partir de outubro deste ano até dezembro de 2031, em 16 anos, com juros de 7,16% ao ano, para quitação da dívida. Somente neste ano, a empresa teria R$ 210 mi a receber. Em 2016, os créditos chegariam a R$ 360 mi. A bolada viria entre janeiro de 2017 e dezembro de 2031, quando embolsaria mais R$ 3,6 bi. Ao todo, a usina receberia R$ 4,2 bi, o que, nas contas da empresa, causaria um impacto anual de 0,26% ao ano na tarifa paga pelo consumidor. "A ESBR, de maneira proativa, contatou várias concessionárias de distribuição a fim de discutir alternativas para o deslinde da questão", declara a empresa, no documento. Uma fonte avalia que a carta pode se tratar de uma forma de Jirau pressionar as companhias e forçar a Aneel a formalizar um acordo. O presidente da Abradee, Nelson Leite, disse que as empresas não têm dinheiro para pagar essa despesa. "As distribuidoras não têm recursos em caixa e também não há sobras na conta das bandeiras tarifárias", afirmou Leite. "Transferir mais esse gasto para a conta de luz resultaria em um novo aumento com o qual o consumidor teria que arcar." As distribuidoras potencialmente mais afetadas pela proposta de Jirau seriam a Copel, a Elektro, a CPFL-Paulista, a Celg-D e a CEEE-D, por causa do volume de energia que adquiriram no leilão da hidrelétrica. (O Estado de São Paulo – 10.09.2015)
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