Embora possam ajudar a resolver questões de curto prazo ¬ que ficaram ainda mais urgentes depois que o Brasil teve a nota rebaixada pela agência Standard & Poor's ¬, as medidas de corte de gastos e aumento de receitas anunciadas ontem pelos ministros da Fazenda, Joaquim Levy, e do Planejamento, Nelson Barbosa, nada fazem para alterar a dinâmica de crescimento das despesas primárias do governo, na opinião de economistas consultados pelo Valor. Yoshiaki Nakano, diretor da Escola de Economia da FGV em São Paulo, diz que a diminuição de despesas anunciada é "peanuts" [ou irrisória, na expressão em inglês] diante do engessamento da dinâmica de avanço das despesas primárias do governo. Sem uma solução estrutural para esse problema, diz Nakano, o país continuará precisando lançar mão de pacotes emergenciais como o atual para controlar o aumento do endividamento público. Carlos Kawall, economista¬-chefe do Banco Safra, concorda. Na visão dele, embora o anúncio do governo demonstre a esperada "reação" para evitar que outras agências sigam o movimento da S&P, o foco das medidas anunciadas ontem é apenas o de retomar o compromisso com a meta de superávit primário de 0,7% para o ano que vem, cujo abandono, segundo Kawall, resultou na perda do grau de investimento. Mansueto Almeida, especialista em contas públicas, diz que mesmo que as medidas sejam aprovadas no Congresso o superávit de 0,7% em 2016 não está garantido. Isso porque o governo ainda trabalha com uma perspectiva de PIB muito otimista e porque a crise dos Estados vai se agravar nos próximos meses. (Valor Econômico – 15.09.2015)
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