Notícias do setor
08/10/2015
Fontes Renováveis - O dilema brasileiro

SENA, Carlos J.. “Fontes Renováveis - O dilema brasileiro”. Agência CanalEnergia. Rio de Janeiro, 05 de outubro de 2015.

Nos últimos anos, vimos o crescimento acelerado da participação de fontes intermitentes de geração de eletricidade na matriz energética brasileira, tais como: eólica, biomassa e, mais recentemente, a solar. A lógica que embasa o desenvolvimento destas fontes está calcada desde no mais puro dogma ambientalista até nos argumentos racionais da complementaridade da oferta energética destes aproveitamentos e da busca pela eficiência energética. De fato, a simples observação dos ciclos energéticos de cada fonte em comparação com o ciclos de afluência hidráulica de nossas bacias comprovam que, no caso da geração eólica, o regime mais favorável de ventos, sobretudo nas regiões Sul e Nordeste do país, inicia-se após findado o período de chuvas mais abundantes nas regiões Sul, Sudeste/Centro-Oeste e Nordeste. Também, o período mais favorável para a colheita da cana-de-açúcar e, portanto, de maior oferta de bagaço para geração de energia, inicia-se após o término do período chuvoso, estendendo-se até os últimos meses do período seco. Já no caso da solar, o argumento principal é a generosa distribuição do insumo por todo o território brasileiro e a sua capacidade de geração durante o período do dia de maior atividade econômica e consumo de eletricidade, de uma maneira distribuída junto aos polos de consumo, com baixíssimo impacto ambiental. Assim, no momento em que geramos a partir de tais fontes poderíamos economizar água nas usinas hidrelétricas e tornarmo-nos menos sensíveis às variações no regime de chuvas de um ano para o outro. Não se pretende negar, portanto, os méritos das citadas fontes e, tampouco, questionar a necessidade de seu desenvolvimento e utilização na matriz brasileira. Entretanto, faz-se mister observar que mesmo nos ciclos mais favoráveis de cada uma dessas fontes, a sua capacidade efetiva de geração de eletricidade e intensidade de participação na matriz sofrem alterações abruptas em questão de segundos, de tal sorte que, em um dado momento, temos um montante de geração considerável e no segundo seguinte este pode ter sido reduzido para algo próximo de zero., bastando, para tanto, uma interrupção momentânea dos ventos ou a entrada de uma massa de ar trazendo nebulosidade sobre uma região. Diante deste paradigma, o bom planejamento da operação do Sistema Interligado Nacional – SIN requer que, ocorrendo tal variação no montante gerado, esta seja imediatamente compensada por outra fonte, de sorte que não haja interrupção na oferta de eletricidade para os consumidores. Este papel precisa ser assumido pelas usinas hidrelétricas com reservatório, única fonte energética firme, despachável, capaz de fazer frente a essas variações com a velocidade necessária. Eis aqui o nosso dilema, para que possamos garantir o suprimento de eletricidade a partir de fontes intermitentes, precisamos que haja nas hidrelétricas com reservatório o que se convencionou chamar “reserva girante”. Em outras palavras, nada mais do que uma turbina hidráulica girando à vazio, sem produzir eletricidade, mas consumindo água do reservatório e contrariando toda a lógica argumentativa apresentada acima. Quanto maior for a representatividade das fontes intermitentes na matriz energética, maior deverá ser a reserva girante e, assim, maior será o consumo da água que deveria estar armazenada nos reservatórios. Como, no momento presente, a construção de hidrelétricas com reservatório caiu em desuso, seja em razão dos dogmas ambientais vigentes que não aceitam confrontação, seja porque os melhores potenciais hidráulicos já foram explorados, o crescimento da fonte térmica na matriz energética torna-se uma necessidade premente no papel de geração de base para que as poucas hidrelétricas com reservatório possam exercer seu novo papel de segurança energética. Carlos J. Sena é vice-presidente do Conselho Temático de Energia - CONERG da Federação da Indústria do Espírito Santo – FINDES e membro do Conselho Consultivo da Agência Estadual de Serviços Públicos de Energia do Estado do Espírito Santo – ASPE

 

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