A forte melhora do desempenho operacional e ganhos com a estratégia de hedge cambial garantiram o primeiro lucro da história da Eldorado Brasil, produtora de celulose da J&F Investimentos, dona da JBS. De julho a setembro, a companhia, que começou a operar sua fábrica no fim de 2012, teve ganho líquido de R$ 333,6 mi. A empresa reverteu prejuízo de R$ 184,2 mi um ano antes. No ano, o resultado líquido da Eldorado também foi positivo, em R$ 267,5 mi. "Estamos entre um ano e um ano e meio à frente do nosso plano de negócios", disse o presidente da companhia, José Carlos Grubisich. Inicialmente, a previsão era de que a última linha do balanço ficasse positiva no fim de 2016. Do lado operacional, a receita líquida da empresa cresceu 52,6% na comparação anual, para R$ 911 mi, amparada pelo maior volume de vendas de celulose (407 mil toneladas), pelos preços mais altos da matériaprima (17% frente ao segundo trimestre) e pela desvalorização do real frente ao dólar. Essa combinação de fatores positivos explica também o Ebitda de R$ 567 mi no trimestre, mais do que o dobro do valor registrado um ano antes. A margem Ebitda, por sua vez, passou de 40% para 62%, a maior margem registrada pela indústria de celulose no país nos últimos 25 anos com base em dados da Bloomberg. Segundo o executivo, a redução de custos de produção e de logística e a venda de energia excedente também contribuíram para o resultado. A maior geração de caixa, afirmou Grubisich, tem permitido à companhia substituir dívidas mais caras por outras mais baratas, estratégia que será mantida nos próximos meses. No curto prazo (12 meses), a Eldorado tem a honrar compromissos financeiros de R$ 1,8 bi a R$ 1,9 bi e tinha disponibilidade de caixa, no encerramento de setembro, de R$ 1,7 bi. No trimestre, as despesas financeiras da companhia somaram R$ 1,76 bi, enquanto as receitas financeiras ficaram em R$ 1,68 bi. O processo de desalavancagem financeira se acelerou nesse cenário e, ao fim do terceiro trimestre, a dívida líquida da companhia equivalia a 3,8 vezes o Ebitda em dólar. Em junho, esse indicador estava em 5,6 vezes e, no fim de 2013, em 14,2 vezes. (Valor Econômico – 23.10.2015)
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