Apesar do fôlego extra dado às exportações, a depreciação cambial terá impacto recessivo sobre a atividade econômica, ao menos no curto prazo. A conclusão é do Ibre¬FGV, a partir de um exercício econométrico que analisa o efeito da alta do dólar sobre o patrimônio das empresas brasileiras endividadas em moeda americana para diversos cenários de variação do câmbio. Na edição deste mês do Boletim Macro, divulgada com exclusividade ao Valor, a equipe de conjuntura do Ibre calcula que a desvalorização do real vai retirar 0,8 ponto percentual do PIB em 2016, quando a economia deve encolher 2,1%. Essa estimativa leva em conta que a cotação do dólar chegará a R$ 4,70 em dezembro do próximo ano. O efeito negativo sobre a atividade é diretamente proporcional ao enfraquecimento do real, ou seja, uma depreciação mais expressiva traz riscos maiores ao PIB. "O efeito do câmbio não é tão positivo assim, porque temos que levar em conta o que essa desvalorização cambial está fazendo com as empresas endividadas", diz Silvia Matos, coordenadora do boletim e autora dos cálculos ao lado do pesquisador Vinícius Botelho. Mesmo em relação às vendas externas, a externalidade positiva do novo patamar do dólar é limitada pela queda de preço das commodities e pelo menor ímpeto do comércio mundial, acrescenta Silvia. Para 2015, o Ibre projeta que o país exportará US$ 190 bi em bens e importará US$ 170 bi. Logo, uma desvalorização cambial de R$ 0,10 por dólar causa, em um primeiro momento, aumento da receita das empresas exportadoras de R$ 19 bi e alta de R$ 17 bi nos custos das importadoras. Assim, a soma dos lucros das empresas brasileiras subiria R$ 2 bi com o choque cambial estimado no ano. (Valor Econômico – 23.10.2015)
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