Para analistas, governo precisa achar fórmula para atrair investidores para a área de transmissão. Em 2015, 15 dos lotes ofertados não receberam propostas. Sem a devida estrutura para transmitir a energia gerada, expansão do setor fica em risco
Laís Lis
A falta de interesse dos investidores para construção de linhas de transmissão em 2015 pode ameaçar o funcionamento do setor nos próximos anos. O fracasso de dois leilões consecutivos somente nos últimos três meses mostra a dificuldade do governo em evitar novos gargalos no setor de energia. Na avaliação de especialistas, se a falta de interesse nos leilões continuar ao longo do próximo ano isso poderá atrapalhar a expansão do sistema elétrico, o que no limite significaria problemas na oferta de energia.
Para a diretora da Thymos Energia, Thais Prandini, nos últimos anos mesmo quando as linhas de transmissão são licitadas no prazo elas acabam atrasando a entrada em operação, por problemas diversos como dificuldades na obtenção de licenças. “Se esses lotes continuarem sem interesse de forma sistemática, isso definitivamente poderá atrapalhar a expansão do sistema”, afirmou.
Nesta quarta-feira (18), no terceiro leilão de transmissão do ano, a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) voltou a enfrentar problemas para atrair investidores. Dos 12 lotes ofertados, a agência vendeu apenas quatro, sendo que em apenas um deles houve deságio. Foram vendidos os lotes A, E, G e L. Em 2015, a agência deixou de vender 15 lotes de transmissão. Em 2012 foram 12 e em 2013, 10.
O gerente de regulação da Safira Energia, Fábio Cubero, lembra que alguns dos lotes que não foram comprados são de linhas de transmissão no Nordeste, aonde o governo contratou recentemente muitos projetos de geração de energia. Cubero pondera, no entanto, que ainda há tempo de correr atrás e evitar problemas no futuro. “Não há comprometimento na malha, mas é preciso rever os termos do leilão", afirmou Cubero. "Se nos próximos tivermos problemas, teremos que ficar de olho para não termos, novamente, o problema de usinas prontas sem linhas para escoar a energia”, completou.
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